Um novo modelo de crédito imobiliário brasileiro, que migra da poupança para instrumentos do mercado de capitais, pode aumentar a pressão sobre os juros cobrados dos compradores. A mudança, que terá vigência plena em 2027, busca reorganizar o financiamento do setor.
O diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, informou que testes iniciais do novo sistema mostraram aumento nas operações e reversão da queda nas concessões de crédito imobiliário. A proposta visa incentivar a substituição gradual da poupança como fonte primária de recursos para o crédito.
A principal preocupação reside na definição dos indexadores dos contratos sob o novo arranjo, que depende menos da poupança. Michel Cury, presidente da Abecip, declarou que a volatilidade do mercado de capitais pode gerar pressão no custo final dos financiamentos, dado o longo prazo das operações habitacionais.
O Banco Central alertou para o risco de elevação do custo do financiamento quando os bancos dependerem mais de captação via mercado. Atualmente, o Sistema Financeiro de Habitação (SFH) tem limite de juros de 12% ao ano sobre o indexador, regra que pode ser desafiada.
No primeiro semestre, as concessões para compra e construção de imóveis somaram R$ 180,9 bilhões, representando alta de 23% em relação ao mesmo período de 2025. Contudo, a poupança acumulou retirada líquida de R$ 273 bilhões nos últimos cinco anos.


