Um estudo conduzido por pesquisadores de Harvard sugere que profissionais da aviação podem ter maior risco de desenvolver certos tipos de câncer. A análise, baseada em registros de óbitos nos Estados Unidos, aponta pilotos e comissários de voo como grupos mais expostos a riscos relacionados à radiação.
A conclusão dos pesquisadores é que a exposição à radiação ionizante do sol, conhecida como radiação cósmica, ocorre em grandes altitudes. A investigação utilizou dados do Sistema Nacional de Estatísticas Vitais, abrangendo cerca de treze milhões de certidões de óbito entre dois mil e vinte e vinte e quatro.
Entre os registros analisados, foram contabilizados catorze mil óbitos de pilotos e sete mil de comissários de voo. O estudo observou mortalidades por cânceres ligados à radiação, como câncer de mama, mieloma múltiplo, leucemia, linfoma, cânceres do sistema nervoso central, tireoide, próstata, melanoma e câncer de pele não melanoma. O câncer de pulmão foi excluído para evitar confusão com fatores relacionados ao tabagismo.
Os profissionais da aviação apresentaram taxas de mortalidade estatisticamente mais elevadas ligadas a câncer de mama, cânceres do sistema nervoso central, câncer de próstata e melanoma. Para os comissários, 6,9% dos óbitos foram ligados a cânceres por radiação, enquanto para os pilotos, o índice foi de 6,7%, taxas superiores às de outras ocupações. Os pesquisadores afirmaram que o aumento do risco é significativo para os grupos considerados.
A cada ano, trabalhadores de companhias aéreas recebem entre três e seis milisieverts de radiação cósmica. Isso representa cerca de oito a quinze vezes mais exposição anual do que um indivíduo que realiza dez voos de ida e volta interestaduais. O estudo, publicado na revista JAMA Internal Medicine, sugere que esses achados podem levar à necessidade de exames de rastreamento mais frequentes ou antecipados para esses profissionais.

