Um homem de 41 anos, morador do Heliópolis, em São Paulo, relata ter sido abordado pela polícia diversas vezes após o sistema Smart Sampa identificar erroneamente seu rosto. Ele foi conduzido à delegacia em pelo menos quatro ocasiões em sete meses.
O indivíduo, que atua como coordenador de departamento pessoal, disse que as abordagens policiais começaram após ele ser confundido com um homem procurado pela Justiça por um homicídio ocorrido no Mato Grosso. A semelhança de nomes teria levado à identificação incorreta pelo programa da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), que usa reconhecimento facial e inteligência artificial.
As ocorrências de abordagem ocorreram em locais variados, incluindo dentro de sua residência, em um shopping e em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O homem relatou que, em uma das últimas vezes, agentes entraram em sua casa sem mandado, alegando ter recebido uma denúncia de agressão.
O sistema Smart Sampa foi apresentado pela Prefeitura de São Paulo como ferramenta de segurança, com protocolos de análise de alertas. O prefeito Ricardo Nunes afirmou que o sistema só acionaria forças de segurança com mais de 90% de similaridade biométrica. No entanto, um levantamento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) apontou que mais de 90 pessoas foram reconhecidas de forma equivocada pelo sistema.
Segundo a pesquisadora do CESeC, o problema reside na interpretação estatística do sistema pelas forças de segurança. Ela também mencionou que a população negra é mais suscetível a erros, dada a base de dados utilizada e o sistema de persecução penal.


