A Justiça chinesa condenou nesta quinta-feira, 20 de agosto, o fundador da gigante imobiliária Evergrande, Xu Jiayin, à prisão perpétua. A decisão, do Tribunal Intermediário de Shenzhen, impôs também a perda de direitos políticos e o confisco de todos os bens pessoais do empresário.
Xu Jiayin foi condenado por diversos crimes financeiros, entre eles fraude na captação de recursos, uso indevido de dinheiro e emissão fraudulenta de valores mobiliários, segundo o tribunal. Ele, conhecido internacionalmente por ser um dos homens mais ricos da China, estava sob medidas restritivas desde 2023 e havia declarado culpa em abril deste ano.
As penalidades financeiras atingiram o grupo. O Evergrande Group foi multado em 8,82 bilhões de yuans, e a subsidiária Evergrande Real Estate recebeu multa de 7 bilhões de yuans. O montante total das multas soma cerca de US$ 2,35 bilhões. Cinco outros executivos também receberam sentenças de prisão, variando entre seis e dezoito anos, totalizando 56 pessoas condenadas no processo.
A investigação apontou que, entre 2016 e 2021, Xu Jiayin e empresas ligadas praticaram fraudes em larga escala, inflando ativos e ocultando passivos. O tribunal considerou que os crimes causaram graves danos econômicos e sociais, determinando a recuperação dos ganhos obtidos ilegalmente.
A Evergrande simboliza a crise imobiliária chinesa, que se agravou após a empresa acumular mais de US$ 300 bilhões em passivos e entrar em inadimplência em 2021. A liquidação judicial do grupo, decidida em janeiro de 2024 em Hong Kong, segue em andamento, sem resolver as perdas de credores e investidores.


