Indígenas de diversas regiões protestaram na quinta-feira, dia vinte de agosto, em Ulaanbaatar, Mongólia. O grupo cobrou inclusão nas negociações da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). Os manifestantes consideram o espaço indígena criado no evento insuficiente e meramente simbólico.
A líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade, Oumarou Ibrahim Hindou, afirmou que a participação indígena não pode ser apenas simbólica. Ela declarou que os povos tradicionais buscam reconhecimento de seus direitos e conhecimentos. Segundo Hindou, não haverá COP sem as pessoas da terra.
Manifestantes também exigiram que a agenda oficial da conferência inclua temas de gênero e participação social, itens que foram excluídos a pedido dos Estados Unidos. Sonia Astuhuamán Pardavé, líder quechua da nação Kuntur Wanka, do Peru, defendeu que os indígenas guardam a chave para solucionar a crise climática e da terra. Ela explicou que seus ancestrais encontraram soluções para viver em harmonia com a natureza.
Um evento paralelo gerou a Declaração de Ulaanbaatar: Apelo à Ação Global de Povos Pastoris e Indígenas. O documento destaca o papel dessas comunidades na conservação da biodiversidade. Ele rejeita a ideia de que o pastoreio cause desertificação e pede reconhecimento de direitos territoriais e mobilidade.
A declaração cobra acesso direto a recursos para adaptação climática e alerta para a fragmentação de pastagens causada por grandes empreendimentos. Os participantes pediram que o documento fosse incorporado aos resultados oficiais da COP17 e anunciaram um novo encontro global para 2030.

