Representantes do setor de energia elétrica nacional defenderam a necessidade de investimentos em inovação para enfrentar desafios de eventos climáticos extremos. O debate ocorreu nesta quinta-feira, em Brasília, durante encontro promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica.
A presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica, Talita Porto, afirmou que o setor já investe em modernização e infraestrutura. Contudo, ela alertou que a inovação é essencial, propondo que o Instituto Abrate aporte cinco bilhões de reais em pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é criar ferramentas de análise e aumentar a resiliência frente às mudanças climáticas.
Apesar dos aportes, Porto disse que o segmento é vulnerável aos efeitos físicos e econômicos das alterações climáticas. Ela explicou que qualquer falha em torre afeta a geração, a distribuição e o consumo, visto que se trata de um setor estratégico.
A presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, Patricia Audi, destacou a adaptação da rede. Audi citou ocorrências recentes, como ventos de cento e quarenta quilômetros por hora no Rio de Janeiro, quando a rede suporta apenas oitenta quilômetros por hora. Em Ribeirão Preto, eventos de até cento e sessenta quilômetros por hora ocorreram há três semanas.
Marcio Rea, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, reforçou a urgência da inovação. Ele apontou que análises técnicas indicaram que ventos em Ribeirão Preto eram do tipo redemoinho, capazes de torcer as torres de transmissão. Rea concluiu que o El Niño de dois mil e vinte e seis evidencia a necessidade de ampliar a capacidade de planejamento e antecipação do país.

