Investidores estrangeiros retiraram R$ 20,4 bilhões da B3 até o dia dezoito de agosto, um movimento que contribuiu para a queda do Ibovespa. A Bolsa fechou em quinta-feira (20) com 167.888 pontos, acumulando queda de 5,6% no mês.
A saída de recursos ganhou intensidade em alguns dias de negociação. O maior fluxo de capital estrangeiro no mercado secundário da B3 em agosto ocorreu no dia onze, quando R$ 4,717 bilhões deixaram a Bolsa em uma única sessão. Analistas apontam que a debandada reflete uma mudança na postura do investidor global frente ao Brasil.
A justificativa para a retirada envolve uma combinação de fatores. Há piora na percepção de risco fiscal, proximidade das eleições e dúvidas sobre inflação e juros. Além disso, incertezas externas e a concorrência de ativos americanos atraem o capital global, segundo Rafael Perretti, economista e analista da Clear.
O efeito da saída se concentrou nas ações de maior peso do índice, conhecidas como blue chips. Sabesp, Bradesco, Itaú Unibanco, Axia Energia, Vale e Petrobras registraram forte volatilidade. Perretti explica que, como os fundos estrangeiros movimentam grandes volumes, tendem a focar nessas companhias mais líquidas, criando um efeito de transmissão na queda do índice.
Entre quatro e dezessete de agosto, Sabesp registrou o maior recuo negativo entre os seis papéis analisados, caindo 18,59%. Bradesco teve queda de 14,20%, e Itaú Unibanco recuou 13,65%. O analista André Moraes, da Trade ao Vivo, afirmou que a relação entre o fluxo e o índice é clara: “Quando ele está entrando, a bolsa está subindo e, quando ele está saindo, a bolsa está caindo”.

