A taxa Selic em 14% dificulta a circulação de recursos no mercado imobiliário e aumenta a pressão sobre proprietários que buscam liquidez. Com aplicações financeiras mais atrativas, investidores mantêm capital no mercado financeiro, reduzindo a compra de propriedades.
Paulo Pedroso, sócio-diretor de Corporate e Crédito da Aliá Partners, afirmou que o efeito é mais notável entre proprietários com grande volume de imóveis. Ele explicou que, com o dinheiro dos investidores no mercado financeiro, o recurso que poderia ir ao setor imobiliário fica parado em bancos. Isso gera maior dificuldade na venda de estoques maiores.
A menor liquidez pode forçar negociações mais flexíveis para os compradores. Pedroso estima que, em segmentos como o de lotes, os descontos para acelerar vendas podem atingir 30% ou 40%, embora o percentual varie conforme a negociação.
Como alternativa à venda imediata, proprietários podem usar o crédito com garantia de imóvel. Essa modalidade permite obter recursos usando a propriedade como garantia, sem desfazê-la. Segundo Pedroso, algumas operações oferecem prazos de 10 a 15 anos e podem liberar até 50% do valor do bem.
A decisão entre vender com desconto ou contratar crédito depende da análise financeira do proprietário. É preciso comparar o custo do crédito, incluindo o Custo Efetivo Total (CET), com o deságio que seria concedido na venda.


