A alta dos juros de longo prazo nos Estados Unidos acende alerta para o Brasil e outras economias emergentes. O mercado demonstra preocupação com a dívida pública e a inflação internacional. O rendimento dos Treasuries de trinta anos atingiu o nível mais alto desde dois mil e sete.
O aumento dos rendimentos dos títulos americanos ocorreu diante das incertezas fiscais dos EUA e da tensão no Oriente Médio. Na quarta-feira, dia dezenove, o Tesouro dos Estados Unidos anunciou a ampliação das recompras de títulos públicos com vencimento entre dez e trinta anos, com volume de pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A medida, prevista entre nove de setembro e quatro de novembro, visa reduzir o estresse no mercado de renda fixa.
A elevação dos rendimentos dos Treasuries impacta diretamente outros países, pois os títulos americanos são referência de liquidez mundial. Quando os juros desses papéis sobem, investimentos em mercados emergentes precisam oferecer retornos maiores para atrair recursos. Para o Brasil, isso pode causar valorização do dólar, encarecendo importados e pressionando a inflação, dificultando o trabalho do Banco Central.
Outro canal de transmissão é a Bolsa. Juros mais altos nos EUA tornam a renda fixa americana mais atraente, diminuindo o interesse por ações em países emergentes. Em agosto, investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 18,6 bilhões do mercado acionário brasileiro, volume maior desde março de dois mil e vinte. O cenário externo também inclui o conflito entre Estados Unidos e Irã, que elevou o preço do petróleo Brent acima de US$ 93 por barril.

