Investidores internacionais retiraram R$ 18,1 bilhões da Bolsa brasileira em agosto, um movimento que configura a maior saída de capital estrangeiro em seis anos. A debandada, observada em apenas duas semanas, ocorre em um cenário de queda do Ibovespa e incertezas sobre o plano fiscal do país.
Especialistas apontam que a saída de recursos internacionais reflete a estratégia de contornar a volatilidade do período eleitoral e a busca por retornos maiores em mercados focados em inteligência artificial. Até ontem, o índice Ibovespa acumulava queda de 5,71% em agosto.
Rafael Winalda, especialista em renda variável do Inter, disse que a reversão do fluxo começou em abril, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio e pela alta dos juros dos títulos dos Estados Unidos. Ele explicou que, após junho, o fator local ganhou peso devido à proximidade da eleição de outubro.
Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC, afirmou que o receio com a valorização das ações de IA nos EUA levou investidores a procurar alternativas. Atualmente, a questão fiscal domina a análise, pois o governo estaria gastando mais de R$ 230 bilhões fora do arcabouço fiscal, segundo ele.
O banco americano JPMorgan alertou que o real está vulnerável às vésperas das eleições. A instituição projeta que, em caso de piora fiscal, o dólar pode atingir cerca de R$ 5,50, enquanto em cenário de correção fiscal, a moeda americana pode chegar a R$ 4,90.


