O presidente da Argentina, Javier Milei, vinculou a queda da natalidade ao movimento feminista e à legalização do aborto. Ele classificou a prática como uma “loucura” que impacta negativamente a economia e o sistema previdenciário do país.
Em discurso realizado durante uma conferência empresarial em Buenos Aires, Milei afirmou que o país “não alcança uma taxa de crescimento populacional e de natalidade que permita a reposição da população”. Ele declarou que “estamos pagando muito caro pela loucura dos lencinhos verdes”, referindo-se ao símbolo da campanha pelo aborto legal.
O presidente acrescentou que a preferência por interromper gestações “também está nos custando caro em termos de crescimento e nem vou falar do impacto sobre o sistema previdenciário”.
Dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) indicam que a Argentina enfrenta uma transformação demográfica profunda. O relatório de agosto aponta que a fecundidade caiu para 1,2 filho por mulher em 2024, abaixo do nível de reposição, que é de 2,1 filhos por mulher.
O UNFPA atribui o declínio a fatores como limitações financeiras, insegurança no emprego, dificuldades de acesso à moradia e falta de opções de cuidado infantil. Milei defende que o aborto constitui um “homicídio agravado pelo vínculo”, apesar de não ter apresentado proposta para revogar a lei de 2020.


