O conglomerado CK Hutchison iniciou um processo de arbitragem internacional contra o governo panamenho. A empresa busca uma indenização superior a US$ 1,5 bilhão por supostas violações de um tratado de proteção de investimentos. A ação trata dos direitos de operação em dois terminais de contêineres no Canal do Panamá.
A disputa envolve a subsidiária da CK Hutchison, a PPC (Panama Ports Company), que detinha a concessão para operar os portos de Cristóbal e Balboa. O acordo, assinado em mil novecentos e noventa e sete, foi renovado por vinte e cinco anos em dois mil e vinte e um. A Hutchison Ports, parte do grupo, detém noventa por cento da PPC, enquanto o governo local possui o restante das cotas.
A questão se tornou geopolítica após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em janeiro de dois mil e vinte e cinco, ele afirmou que os Estados Unidos receberam um acordo desvantajoso no Canal do Panamá e que a China o operava, prometendo retomar o controle da hidrovia. Sob pressão de Washington, a Controladoria Geral do Panamá realizou auditorias na PPC.
Em janeiro deste ano, a Suprema Corte do Panamá decidiu que o contrato de operação da PPC era inconstitucional e cancelou o acordo. O governo panamenho assumiu os dois terminais em vinte e três de fevereiro, proibindo a entrada de representantes da PPC. A CK Hutchison acusou o Panamá de iniciar uma repressão estatal contra seus investimentos no início de dois mil e vinte e cinco.
A empresa alegou que o governo iniciou investigações arbitrárias sem o devido processo legal e revogou uma posição jurídica de trinta anos que protegia as concessões. A CK Hutchison afirmou que o Panamá confiscou bens, equipamentos, tecnologia, funcionários e dados da PPC, causando grandes prejuízos financeiros.


