O endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior patamar da série histórica em julho, conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Paralelamente, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 81,9% do Produto Interno Bruto em junho.
Segundo o Banco Central, a DBGG, que engloba os governos federal, estaduais e municipais, subiu 0,9 ponto percentual em relação a maio, marcando o nível mais alto desde 2021. O déficit primário do setor público consolidado em junho foi de R$ 55,3 bilhões, um aumento de 17,4% comparado a R$ 47,1 bilhões em junho de 2025.
A análise das dívidas familiares aponta que o comprometimento da renda é alto. Em julho, 82% das famílias relataram ter dívidas ativas, um avanço de 0,4 ponto percentual sobre junho. Em média, as famílias endividadas destinam 29,5% da renda para honrar compromissos com credores.
A situação varia por faixa de renda. Entre famílias com ganhos de até três salários mínimos, 84,9% estão endividadas. Já no grupo com rendimentos acima de dez salários mínimos, o volume de endividamento foi de 72% em julho. O governo central registrou um déficit de R$ 47,2 bilhões, enquanto os governos regionais apresentaram saldo negativo de R$ 6,6 bilhões.
A Instituição Fiscal Independente projeta que, mantendo o ritmo atual, a relação da dívida pública com o PIB possa chegar a 115% em 2036. O Banco Central explica que essa evolução da dívida bruta se deve à alta dos juros nominais e às emissões líquidas de dívida.

