A Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) publicou um relatório em maio de 2026 confirmando que a morte de Juscelino Kubitschek, ocorrida em agosto de 1976, foi um atentado orquestrado pelo regime militar brasileiro.
A versão oficial sustentava que o falecimento do ex-presidente, que ocorreu em um ‘acidente’ na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), foi resultado de uma colisão entre um ônibus e um caminhão. No entanto, o novo relatório da CEMDP demonstra que o ocorrido foi o desfecho de uma cadeia estratégica montada pelo regime contra Kubitschek.
O professor de História Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB), Virgílio Arraes, explica que, após a derrubada de João Goulart, os militares passaram a ver Kubitschek como um inimigo, apesar de ele ter apoiado a tomada de poder. O ex-presidente era visto como um adversário forte, com chances reais de vencer as eleições de 1965.
A primeira ação do regime foi a cassação de seus direitos políticos, em oito de junho de 1964. Em seguida, foram criados inquéritos policiais-militares para produzir acusações de ‘comunismo’ e ‘corrupção’, visando a eliminação de sua resistência física e psíquica. O relatório aponta que a perseguição atingiu a saúde do ex-presidente.
O documento conclui que a morte de Kubitschek foi não natural, violenta e causada pelo Estado no contexto do regime militar. Naquele dia, o país reagiu com comoção e revolta, marcando a maior manifestação popular contra a ditadura na capital federal desde o início dos anos de chumbo.

