A Copa do Mundo de 2026 revelou no Brasil um forte crescimento do mercado de apostas esportivas, que movimentou cerca de R$ 1 bilhão em um período de monitoramento. Um terço da população relatou ter apostado na competição, e o número de pedidos de autoexclusão aumentou 588% em relação a maio.
A análise de uma amostra de 1,2 milhão de pessoas, realizada pela empresa Klavi, demonstrou que a proporção de apostadores diários cresceu de 8,3% para 14,1% durante o Mundial. O evento global tornou visível o problema enfrentado pelo país, segundo os dados.
O caso da CazéTV ilustrou a tensão entre entretenimento e indução ao jogo. A plataforma, detentora dos direitos de transmissão, inseriu dicas de apostas na narração, o que levou o Conar a recomendar a suspensão de peças publicitárias e motivou apuração da Secretaria Nacional do Consumidor.
O Ministério da Fazenda emitiu três portarias em dez de julho para regular o setor. As normas exigem advertências em publicidade, proíbem associações a “ganho fácil” e ampliam a proteção de menores. Contudo, o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima que o custo social anual das apostas online atinge R$ 38,8 bilhões.
Movimento “Brasil contra Bets” reúne mais de vinte organizações da sociedade civil e 92 parlamentares para aprovar projetos de lei que visam proibir publicidade e patrocínio. Especialistas apontam que a regulação atual, baseada em portarias, é insuficiente para conter o modelo de negócio das plataformas.


