Grandes empresas e bancos listados no índice da Bolsa projetam um cenário pouco animador para a economia brasileira em 2027. O levantamento, baseado em teleconferências do segundo trimestre, aponta que o juro alto e o aumento do endividamento familiar afetarão as operações.
O aumento do endividamento das famílias tem impactado contas básicas. A CPFL Energia, por exemplo, informou que a inadimplência subiu de 0,82% no segundo trimestre de 2025 para 1,08% neste ano, intensificando o corte de fornecimento como ferramenta de controle.
Para o setor de saneamento, a Copasa adotou mecanismos de cobrança antecipada e renegociação de dívidas para lidar com o cenário de endividamento. Alfredo Setubal, CEO da holding Itaúsa, mencionou a possibilidade de uma pequena recessão, ecoando a visão de economistas sobre a desaceleração.
O varejo também sinaliza cautela. Lojas Renner e Assaí indicaram pressão no consumo devido à taxa Selic maior que o esperado. O Assaí Atacadista, por sua vez, reduziu investimentos e paralisou projetos devido aos juros elevados, segundo seu CEO.
O cenário complexo é visto como consenso pelo mercado financeiro. Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, afirmou que o alto endividamento do governo e das famílias, somado aos juros, impactará a economia. As projeções do Boletim Focus indicam que o PIB deve crescer 1,5% em 2027, com a Selic em 12% ao ano.

