Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, testaram uma vacina contra coronavírus criada com inteligência artificial em humanos. O ensaio inicial envolveu trinta e nove voluntários saudáveis, e a tecnologia visa proteger contra diferentes vírus da família Sarbeco.
A vacina, desenvolvida em parceria com a empresa DIOSynVax, utiliza um componente chamado “superantígeno”. Este foi projetado por simulações computacionais, analisando dados genéticos de diversos coronavírus Sarbeco. A estratégia busca estimular resposta imunológica contra regiões conservadas dos vírus, prevenindo a necessidade de novas formulações com surgimento de variantes.
O estudo de fase um, conduzido entre dezembro de dois mil vinte e um e setembro de dois mil vinte e três, avaliou segurança e tolerabilidade. Os participantes relataram boa tolerância e não foram identificados problemas significativos de segurança nas quatro doses aplicadas. Contudo, os pesquisadores apontaram que a resposta imunológica observada foi modesta.
Outro aspecto da tecnologia é a forma de aplicação. A vacina de DNA foi administrada por via intradérmica usando um sistema de microjato, o PharmaJet Tropis. Este dispositivo aplica o fluido em alta velocidade na pele, dispensando o uso de agulha convencional. Jonathan Heeney, professor da Universidade de Cambridge, afirmou que o processo transforma o desenvolvimento de vacinas, passando de reativo para preventivo.
Apesar dos resultados iniciais, os pesquisadores indicaram que são necessários estudos maiores. Um ensaio clínico de fase dois deve avaliar a resposta imunológica em população mais ampla e diversificada para verificar se a proteção é mais forte e abrangente. A pesquisa ocorreu em instalações do National Institute for Health and Care Research (NIHR).

