O Museu da Diversidade Sexual inaugura a exposição Alice Oliveira nesta quarta-feira, dia do Orgulho Lésbico. A mostra documenta o trabalho da ativista e fotógrafa, cobrindo os movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ dos anos 1980 e 1990 no Brasil e na América Latina.
A exposição reúne trinta fotografias, negativos e documentos que ajudam a reconstruir a história desses grupos. O material, que ficou esquecido por anos, foi digitalizado e catalogado recentemente, pois a ativista não se via como fotógrafa inicialmente. Segundo Pedro Vieira, curador e pesquisador do acervo, os registros são essenciais para entender a trajetória desses grupos dissidentes.
Os registros mostram a evolução do movimento LGBTQ+. Por exemplo, uma foto ilustra a primeira Conferência da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA) no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1995. Ao final desse encontro, participantes realizaram um grande ato na Orla de Copacabana, evento considerado por historiadores como marco do orgulho no país.
A ativista também participou de encontros importantes no continente. Ela ajudou a organizar o terceiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho em Bertioga, no final dos anos 1980, o que representou o primeiro contato significativo do movimento brasileiro com o restante da América Latina. Em 1997, ela esteve no IX Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Travestis em São Paulo.
Hoje, aos setenta anos, a ativista direciona sua militância à defesa de idosos LGBT+ em conselhos e políticas públicas. Ela defende a união do movimento atual, citando a metáfora de que gravetos juntos são mais fortes do que um isolado.


