Pesquisas com dados brasileiros de 2002 a 2025 indicam que a dinâmica econômica envolve circuitos de retroalimentação entre expectativas, câmbio, juros, atividade e dívida pública. O estudo sugere que a política monetária não pode ser explicada de forma linear.
A discussão sobre juros no Brasil frequentemente assume um modelo simples: aumento da inflação leva o Banco Central a elevar a taxa Selic, o que reduz a demanda e, teoricamente, controla o preço. Contudo, a investigação aponta que variáveis como choques de oferta, custos e conflitos distributivos não são equivalentes à inflação de demanda. Uma taxa de juros elevada pode ser eficaz contra excesso de demanda, mas menos adequada frente a problemas de oferta transitórios.
Os resultados do estudo indicam que as expectativas do mercado influenciam a política monetária, mas também reagem a ela. Essa interação cria um ciclo onde inflação afeta expectativas, que por sua vez determinam a Selic, impactando a atividade e a dívida, gerando novas expectativas. A questão se desloca de quem causa quem para como essas variáveis interagem ao longo do tempo.
Outro achado relevante envolve a dívida pública. Normalmente, a dívida alta eleva o risco e os juros. O estudo verificou que os juros também afetam a dívida. Uma elevação de um ponto percentual do Produto Interno Bruto na dívida líquida do setor público esteve associada a uma revisão de cerca de 0,12 ponto percentual na dívida esperada futura, três meses depois.
O autor conclui que a política monetária precisa ser menos mecânica. Antes de decidir o aperto monetário, é necessário identificar a origem da inflação. Inflação por excesso de demanda deve ser tratada de forma diferente de aquela causada por choques de oferta, exigindo um ajuste no horizonte de convergência para minimizar o custo social.


