Bancos pressionam o Banco Central a revisar o teto de 12% ao ano estabelecido para juros de crédito imobiliário no Sistema Financeiro de Habitação (SFH). A pressão ocorre porque a taxa básica de juros, Selic, permanece em 14% ao ano, nível superior ao projetado quando o novo sistema regulatório foi desenhado.
Diretores de grandes instituições, como Caixa, Itaú, Bradesco e Santander, apresentaram a demanda em um Summit organizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Michel Cury, presidente da Abecip, explicou que o aumento das taxas de captação eleva o custo final do financiamento.
O novo modelo de financiamento, implementado gradualmente até janeiro de dois mil e vinte e sete, visa diminuir a dependência da caderneta de poupança. Com a Selic elevada, investidores migraram recursos para aplicações mais rentáveis, o que gerou escassez e encarecimento do crédito habitacional.
Para suprir a demanda, o governo autorizou bancos a captarem dinheiro no mercado de capitais, usando instrumentos como LCIs. Contudo, o custo desse recurso é maior que o da poupança e sensível às flutuações de juros. As instituições apontam que, com o teto rígido de 12% para operações no SFH, são obrigadas a emprestar com margem mínima ou prejuízo.
Gilneu Vivan, diretor de Regulação do Banco Central, informou que a exigência de destinar 80% dos recursos ao SFH pode sofrer alterações. Ele também mencionou que a escolha do indexador do sistema, como TR ou IPCA, exige conciliar a gestão de risco dos bancos com a previsibilidade para o tomador de crédito.

