O financiamento coletivo de candidaturas presidenciais já ultrapassou os dez milhões de reais neste ano. Desde maio, quando o Tribunal Superior Eleitoral liberou as vaquinhas online, três das sete plataformas autorizadas arrecadaram esse montante para cerca de duas mil campanhas.
A campanha de Renan Santos, apoiado pelo Movimento Brasil Livre, lidera a arrecadação com cerca de R$ 1,2 milhão. Este valor é quase o dobro dos R$ 634 mil levantados por Jair Bolsonaro em 2022, maior montante coletado naquele pleito, segundo valores corrigidos pela inflação. O partido de Santos depende apenas de doações individuais e venda de produtos, diferente de Flávio Bolsonaro, cujo partido possui a maior fatia do fundo eleitoral.
A campanha de Santos afirmou que a contribuição média é de R$ 60 e que São Paulo concentra os maiores doadores. A equipe do candidato do PL comentou que a vaquinha virtual auxilia na mobilização e cria um sentimento de participação entre apoiadores. O mecanismo de doações também se estende a outros cargos, com a campanha ao Senado de Marcel van Hattem figurando em segundo lugar no ranking de doações.
Cientistas políticos analisam a prática como um fator de mobilização, notando que contribuições menores, muitas vezes entre R$ 2 e R$ 150, são frequentes. A cientista política Tathiana Chicarino, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, aponta que essa dinâmica tem maior apelo em campanhas de direita, ligadas a redes sociais, enquanto a esquerda utiliza mais a mobilização de base por meio de panfletagem.

