O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã desta sexta-feira para Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Em conversa de uma hora e vinte minutos, Lula defendeu a negociação sobre as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil. O líder brasileiro afirmou que as alegações que fundamentaram a taxação são infundadas.
A conversa, realizada em tom amistoso, abordou a imposição de novas taxas americanas sobre produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e conflitos internacionais. Sobre a tarifa, o Planalto informou que Lula enfatizou que os argumentos utilizados pelos EUA — como desmatamento, acordos preferenciais e propriedade intelectual — não correspondem à realidade.
O governo brasileiro tem argumentado que as medidas tarifárias possuem teor político. Lula ressaltou que manter a negociação é a melhor opção para ambos os países, buscando preservar os laços comerciais. Trump concordou com a necessidade de manter vínculos fortes e propôs que equipes dos dois países se reunissem em breve.
As tarifas, que somam 25% e 12,5%, foram aplicadas após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) apontou que a medida atinge 15% do volume exportado para os EUA em 2025, totalizando US$ 5,8 bilhões. Setores como madeira, móveis e calçados são os mais afetados.
Na ligação, Lula também reforçou a cooperação contra o crime organizado, rejeitando a classificação de grupos brasileiros como terroristas. Os dois líderes trocaram impressões sobre a guerra na Ucrânia e no Oriente Médio, concordando com a urgência de uma solução negociada.

