O avanço dos veículos elétricos no Brasil transforma o trabalho em oficinas e demanda uma nova geração de mecânicos mais voltada à tecnologia e análise de dados, afirma Igor Lopes. Ele aponta que o gargalo do pós-venda reside na formação profissional, e não na disponibilidade de peças.
Lopes, especialista, destacou que, no primeiro semestre, 16% dos carros vendidos no país foram elétricos, número que atinge 25% globalmente. Para o profissional, a eletrificação não elimina o mecânico tradicional, visto que a frota a combustão ainda representa mais da metade dos veículos. Contudo, surge a necessidade de reciclagem e especialização.
A mudança impõe novos cuidados de segurança. Antes de qualquer serviço, o profissional deve desenergizar o veículo, pois a bateria de alta tensão representa risco fatal. O diagnóstico também evolui, deixando de depender apenas da percepção, passando a ser orientado por códigos de erro e dados do automóvel.
Além da capacitação, o maquinário das oficinas deve mudar. Ferramentas precisam ser isoladas e elevadores devem suportar o peso maior dos veículos elétricos. Lopes previu oficinas especializadas em marcas específicas ou serviços como troca de baterias.
As montadoras já atuam na formação. A Ford, por exemplo, lançou um projeto com vagas para jovens, visando inclusão digital e formação do novo perfil. Lopes acredita que o mercado futuro será plural, convivendo com oficinas tradicionais, especializadas e maiores, atendendo combustão, híbridos e elétricos.


