Os estúdios do Grupo Bandeirantes estabelecem, de forma não oficial, o marco inicial da corrida eleitoral brasileira. Esse debate pioneiro, realizado no início do ciclo, reflete um legado que começou no final da ditadura militar e se consolidou por acordos estratégicos entre veículos de comunicação.
A tradição de iniciar os confrontos televisivos na rede paulista começou em 1982, quando o país iniciava sua abertura política. O ponto de inflexão ocorreu em 1989, durante a disputa presidencial, pois o Brasil não realizava eleições diretas para o chefe do Executivo desde 1960. A emissora organizou então o primeiro debate presidencial da redemocratização.
Esse evento inicial serviu como laboratório para formatos de mediação e regras de confronto que definiram a televisão subsequente. O calendário eleitoral segue um pacto não escrito entre os grandes grupos de mídia. A Band assegura tradicionalmente a primeira janela em agosto, permitindo que a emissora defina os temas iniciais da disputa.
Outras emissoras assumem o meio do mês de setembro, enquanto outro grande veículo adota a estratégia oposta, encerrando o ciclo televisivo na quinta-feira anterior ao domingo de votação. O Tribunal Superior Eleitoral atua como árbitro, definindo diretrizes, mas as empresas definem formatos com as campanhas.
A legislação exige convites para políticos cujos partidos tenham no mínimo cinco representantes no Congresso Nacional. Se um candidato falta, a emissora tem respaldo jurídico para realizar o evento com os presentes, mantendo o púlpito vazio para evidenciar a ausência.

