Eduardo Nery, CEO da Every Cybersecurity, alerta que o crime organizado prefere aliciar crianças por jogos e redes sociais a abordá-las em locais públicos. A discussão ganhou força após a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar que o Discord desative as transmissões ao vivo no país.
A medida, que entrou em vigor na terça-feira, 18, bloqueia apenas as transmissões ao vivo da plataforma, mantendo outras funcionalidades ativas. Segundo a ANPD, a decisão ocorreu após a identificação de indícios de que o Discord não possuía mecanismos adequados para prevenir situações de indução à violência, automutilação e suicídio de menores.
Dados da SaferNet Brasil indicam que as denúncias contra o Discord cresceram 54% nos primeiros sete meses de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior. Nery explica que os riscos migraram para o ambiente virtual, exigindo atenção semelhante àquela dada a estranhos na rua.
O especialista detalha que grupos criminosos usam redes sociais e aplicativos de comunicação para contatar menores. Os desafios podem começar com pedidos financeiros simples e evoluir para riscos físicos, emocionais ou financeiros. Ele recomenda que celulares, computadores e videogames sejam usados sob acompanhamento dos responsáveis.
Para se proteger, Nery sugere ativar a autenticação em duas etapas em serviços como WhatsApp, evitar links de desconhecidos e monitorar a atividade online. Ele conclui que a desconfiança deve fazer parte da educação digital.


