O debate presidencial de 14 de dezembro de 1989, entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, teve sua repercussão moldada pela edição de telejornais no dia seguinte. A controvérsia surgiu do desequilíbrio de tempo e escolhas editoriais em compactos veiculados, o que forçou mudanças nas regras de cobertura eleitoral no país.
O segundo turno das eleições, realizado após vinte e nove anos sem voto direto, colocou em disputa duas figuras distintas: o ex-governador de Alagoas, Fernando Collor, e o ex-sindicalista, Lula. A disputa estava acirrada, e o confronto direto na televisão ganhou peso inédito para a democracia brasileira.
A polêmica se concentrou nos vídeos exibidos pela emissora no dia 15 de dezembro. Enquanto um compacto exibido na tarde mostrou um tom de empate, a versão do telejornal no horário nobre dedicou trinta e quatro segundos a mais às falas de Collor, em comparação com Lula. Além disso, a seleção de imagens focou em ataques do candidato do PRN e em momentos de hesitação do petista.
O Partido dos Trabalhadores acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigindo direito de resposta, mas o pedido não foi atendido a tempo da eleição, ocorrida em 17 de dezembro. Internamente, o episódio gerou divergências na emissora; o diretor da Central Globo de Jornalismo, Armando Nogueira, se afastou pouco tempo depois.
Anos depois, executivos da emissora admitiram interferência deliberada para favorecer Collor, reconhecendo o erro editorial. Desde então, estabeleceu-se um consenso informal de que a cobertura pós-debate deve focar em reportagens factuais, sem juízo de valor ou desequilíbrio de tempo.

