Em 2026, o eleitor brasileiro deve digitar seis números diferentes na urna eletrônica para votar em cargos como presidente e governador. Esses números não são aleatórios; eles seguem regras eleitorais definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e são cruciais na estratégia de cada candidatura.
A formação dos números obedece a regras do TSE. Presidente e governador utilizam o número de identificação do partido. Para senador, acrescenta-se um algarismo; para deputado federal, dois, e para deputado estadual ou distrital, três. A definição final ocorre nas convenções partidárias. Em regra, o número é sorteado, mas candidatos que disputam o mesmo cargo pela mesma sigla mantêm a numeração anterior.
Luiz Ademir de Oliveira, cientista político da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), explica que o número transcende a identificação partidária, tornando-se um atalho cognitivo. A associação entre número, nome, cores e slogan facilita a identificação do eleitor, algo que ganhou força com a implantação das urnas eletrônicas em 1996.
Candidatos a eleições proporcionais, como deputados, enfrentam o desafio de fazer o eleitor associar sequências de quatro ou cinco algarismos à sua candidatura. A repetição do número por campanhas em redes sociais e materiais de divulgação visa garantir que a sequência seja recuperada com facilidade no dia da votação.
Alguns números carregam peso histórico. O 13, por exemplo, está associado ao PT, e o 22, ao PL. Oliveira afirma que esses números se tornaram atalhos cognitivos mais fáceis de serem lembrados pelo eleitor. Contudo, o pesquisador ressalta que a escolha final é influenciada pela identificação ideológica, e o número serve apenas como um guia para a digitação.

