O mercado de títulos reagiu com ceticismo à intervenção do Tesouro dos Estados Unidos, que anunciou a ampliação da recompra de dívidas de longo prazo. Especialistas alertam que o efeito positivo pode ser de curta duração, devido a preocupações fiscais e inflacionárias em escala global.
O anúncio do Tesouro, que prevê dobrar o volume de recompras, impulsionou os mercados de dívida soberana na Ásia-Pacífico, Japão e Austrália, em quinta-feira. O movimento seguiu ganhos vistos em títulos europeus na quarta-feira, embora estes já perdessem força no dia atual.
Estrategistas apontam que a ação pode funcionar como um “circuit breaker” para a liquidação de vencimentos longos, segundo um analista da Barrenjoey Markets Pty. Contudo, instituições como a Franklin Templeton mantêm posições cautelosas, argumentando que os déficits fiscais excessivos e a inflação persistente limitam a duração do rali.
Nos Estados Unidos, o rendimento do título de 30 anos subiu quatro pontos-base, atingindo 5,23%. Na Europa, o título alemão de 30 anos manteve variação baixa, em 3,76%. Um estrategista do Mizuho International Plc observou que o Reino Unido não possui sinal de política equivalente, e o risco fiscal doméstico permanece.
Analistas de diversas firmas internacionais indicam que o suporte dado pelo Tesouro dos EUA não se estende a outras regiões. Eles defendem que os fundamentos fracos das economias desenvolvidas continuam a ser um fator relevante para os investidores.

