Michael Burry, investidor, alertou na sexta-feira que o crescimento dos data centers impulsionado por inteligência artificial espelha os excessos estruturais que antecederam a crise de 2008. O analista citou financiamentos circulares e veículos fora do balanço como fatores que aumentam a alavancagem no ecossistema.
A principal crítica de Burry reside no fato de parte da receita futura da NVIDIA ser financiada majoritariamente em arranjos circulares, e não por demanda orgânica de usuários finais. Ele indicou veículos de propósito especial, financiamento fora do balanço e seguradoras cativas como mecanismos que absorvem dívidas arriscadas, dificultando a visualização dessa alavancagem externa.
A análise se estende a outras companhias. A Oracle, por exemplo, divulgou em seu relatório do quarto trimestre fiscal de 2026 obrigações de desempenho remanescentes de 638 bilhões de dólares. Além disso, a empresa planeja captar 40 bilhões de dólares em dívida e capital em 2027 para custear um programa de capital fixo de 70 bilhões de dólares.
Burry baseou seu argumento em dados do economista chefe da Apollo, Torsten Slok. Os dados mostram aceleração na construção de data centers mesmo após o início do aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve em 2022. O analista afirmou que o crescimento do Produto Interno Bruto depende desse desenvolvimento de infraestrutura de data centers.

