O canhão El Cristiano, trazido ao Brasil após a Guerra do Paraguai, gera debate sobre sua devolução ao Paraguai. A peça, fundida em 1867, simboliza um período conflituoso e toca na questão do que uma nação deve reter de seu passado.
O canhão, com cerca de 12 toneladas, foi criado em 1867 no Paraguai, utilizando bronze de sinos retirados de igrejas locais. A peça foi usada na defesa de Humaitá e chegou ao Brasil como troféu da campanha. Mais de um século e meio depois, o objeto integra o patrimônio histórico brasileiro.
A discussão ultrapassa o valor do bronze. O texto aponta que a guerra envolveu grande sofrimento ao povo paraguaio, mas também mobilizou milhares de brasileiros. Os combatentes morreram em campos de batalha, vítimas de doenças e condições brutais da campanha.
Um argumento defendido é que a amizade entre povos não exige a renúncia de um ao seu próprio registro histórico. Devolver o canhão seria um gesto de amizade, mas a memória nacional também carrega o peso de honrar aqueles que lutaram.
A peça, segundo o autor, serve para lembrar o absurdo do conflito. Museus, nesse sentido, têm a função de preservar a história completa, tanto os mortos quanto os vivos, sem cair em triunfalismos ou ressentimentos.

