A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) atualizou suas diretrizes clínicas e passa a determinar que pacientes com diabetes tipo 2 devem tratar a obesidade concomitantemente à doença. A mudança visa evitar o agravamento do quadro diabético e o surgimento de problemas em indivíduos pré-diabéticos.
O coordenador de Diretrizes da SBD, Marcello Bertoluci, explicou que o foco do tratamento migra do controle exclusivo da glicose para a gestão do peso e dos riscos cardiorrenais. Os hábitos de vida saudáveis permanecem essenciais, mas a indicação de medicamentos para auxiliar no tratamento da obesidade e do diabetes também será feita para prevenir complicações como infarto e doença renal.
Entre os fármacos citados para essa finalidade estão os agonistas do GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. O diabetes, condição crônica que impede o corpo de absorver a insulina adequadamente, afeta cerca de 12,9% da população adulta brasileira, segundo dados do IBGE de 2022.
Outras alterações foram feitas nas orientações. Lenita Zajdenverg, coordenadora do Departamento de Diabetes Gestacional da SBD, recomendou o uso de anticoncepcional para mulheres com hemoglobina glicada acima de nove. Ela afirmou que essa medida aconselha a postergar a gestação para evitar riscos de malformações fetais.
Para mulheres com diabetes tipo 1 que não estão grávidas e enfrentam dificuldades no controle glicêmico, a recomendação é o uso de sistemas automatizados de infusão de insulina, prática que, segundo a médica, melhora o desfecho gestacional.


