A testosterona, promovida como atalho para mais força e ganho muscular, tem sido objeto de interesse popular. Contudo, especialistas afirmam que seu uso, por cápsulas ou injeções, pode ter efeito limitado quando sem indicação médica ou acompanhamento especializado.
Segundo o professor Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Universidade de São Paulo, não há uma pandemia de déficit de testosterona na população. Ele e o endocrinologista Clayton Macedo, da Universidade Federal de São Paulo, contam que nenhuma sociedade médica recomenda medir o hormônio em toda a população, alertando para triagens indiscriminadas.
O médico Macedo explica que a testosterona é frequentemente vendida como solução para problemas diversos, como cansaço ou baixa libido, quando a causa real é outra. Ele compara a situação à prescrição de cocaína para animar, reforçando que o tratamento deve focar na causa do sintoma, e não apenas em aliviar a consequência.
Além da necessidade médica, a resposta ao hormônio varia por organismo. Para funcionar, ele precisa se ligar a receptores em tecidos como músculos e ossos. Variações genéticas na sensibilidade desses receptores fazem com que pessoas com níveis similares de testosterona reajam de formas distintas.
Outros fatores limitam a ação do hormônio. O processo de ativação celular depende de nutrientes, como fósforo, magnésio e ferro. Além disso, condições como obesidade e diabetes tipo dois reduzem a capacidade do organismo de responder à testosterona, gerando resistência anabólica ou dificultando a síntese de proteínas.

