A violência de colonos israelenses contra palestinos avança para regiões da Cisjordânia que, conforme os Acordos de Oslo, deveriam ser sob controle palestino. Um levantamento da organização Yesh Din indica que quase dois terços dos episódios registrados em 2026 ocorreram nas Áreas A e B.
A alteração no padrão dos ataques é significativa. No ano passado, a Área C, que representa cerca de 60% do território e permanece sob controle israelense, concentrou 67% dos incidentes. Em 2026, essa proporção caiu para 37%. A Área B, por sua vez, viu os episódios saltarem de 25% para 55%.
Segundo o relatório da Yesh Din, colonos passaram a montar novos postos agrícolas nas Áreas A e B desde 2024, incluindo locais próximos a cidades palestinas importantes. A organização afirma que essa expansão ocorre com tolerância ou apoio de instituições estatais israelenses.
Ministros israelenses, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, defenderam o fim da divisão territorial estabelecida pelos Acordos de Oslo. A combinação de expansão de postos, violência e deslocamento de comunidades palestinas pode levar ao esvaziamento das áreas rurais, aponta a Yesh Din.
Dados da ONU reforçam o cenário. O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) registrou que, até 20 de julho, dezoito palestinos morreram em episódios envolvendo colonos na Cisjordânia em 2026. A agência contabilizou uma média de aproximadamente cento e noventa ataques mensais nos quatro primeiros meses do ano.


