Oito em cada dez brasileiros afirmam que é fundamental que os candidatos eleitorais acreditem em Deus, segundo levantamento do Laboratório de Estudos Sócio Antropológicos em Política, Arte e Religião (LePar). A percepção é mais forte entre os mais pobres, e a pesquisa foi apresentada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nesta quarta-feira (19).
O estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) mostra que a crença em Deus é mais acentuada entre as classes de menor renda. Enquanto 89% das pessoas com rendimento de até um salário mínimo consideram isso crucial, apenas 57% dos indivíduos que ganham entre dez e vinte salários mínimos afirmaram o mesmo.
Sete em cada dez entrevistados concordam que Deus melhora as pessoas, e essa taxa sobe para 86% entre quem ganha até um salário mínimo. Além disso, 82% defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a crer em Deus.
A socióloga Christina Vital, da UFF, observou que essa valorização da fé não se traduz em maior confiança nas instituições religiosas. Ela citou que 56% da amostra confia na Igreja Católica, seguida por 51% nas igrejas protestantes.
Michel Gherman, do Observatório das Crises das Democracias das Américas (UNLP) da UFRJ, avaliou que grupos de extrema-direita utilizam religiões. Ele apontou que sete em cada dez candidatos no Rio de Janeiro acreditam em conspiração progressista contra a moral, o que sustenta o fortalecimento desses grupos.

