Plataformas digitais como Substack, Suaaave e Are.na surgem como alternativa aos modelos de consumo acelerado das redes sociais. Esses ambientes permitem que criadores de conteúdo, como fotógrafos, construam relacionamentos com o público de forma mais autêntica, priorizando a profundidade sobre a viralização.
O Substack, um feed de conteúdo que ultrapassou cinco milhões de assinaturas pagas, permite que autores publiquem textos e imagens diretamente por e-mail. Para o fotógrafo Renato Rocha Miranda, editor chefe da newsletter “A Obscura”, essa modalidade de produção é libertadora. Segundo Miranda, o trabalho não depende de “trends, de música, de vídeos curtos, de ganchos, likes, mas da relação sua com o mundo e não com um código que determina o que você pode ver ou de anúncios”.
Outra proposta é o Suaaave, aplicativo que limita a publicação dos usuários a apenas uma foto por dia. O criador, Téo Costela, desenvolveu a ferramenta em resposta à saturação de vídeos e anúncios em outras plataformas. O feed do Suaaave é cronológico e não utiliza algoritmo de recomendação, mantendo a relevância do contato pessoal.
Já o Are.na funciona como um repositório de referências, similar ao Pinterest, mas com maior variedade de formatos. É possível reunir imagens, textos e PDFs em blocos compartilháveis. A tendência aponta para uma fadiga gerada pelo ritmo incessante dos feeds tradicionais, o que leva usuários a buscarem trocas mais tranquilas.
Tarcisio Torres Silva, professor-pesquisador da Escola de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas, explica que o interesse prévio pelo conteúdo direciona o consumo. Ele afirma que, em newsletters, o consumo se dá de forma mais intencional, permitindo ao leitor dedicar tempo para compreender o sentido das imagens, estimulando a cognição.

