O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou o uso dos drogômetros, aparelhos que analisam fluido oral para identificar o uso de substâncias psicoativas, na fiscalização da Lei Seca. Os dispositivos já são empregados em pelo menos dezoito países, incluindo Estados Unidos e Canadá.
A utilização desses instrumentos é uma tendência global, segundo Thiago Itida, psicólogo especialista em dependência química e cofundador do Grupo Prev One Diagnostico e Prevenção. Ele afirmou que o rastreamento de substâncias no trânsito já ocorre em nações como Itália, Reino Unido e Estados Unidos, sendo um procedimento estabelecido em estratégias de segurança viária.
A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) citou exemplos de outros países. No Canadá, dispositivos de fluido oral são usados em fiscalizações à margem da via. Na Bélgica, houve migração do teste de urina para o teste de saliva, visto que o método é menos invasivo e mais eficiente.
A análise de substâncias por fluidos orais indica exposição recente. Alvaro Pulchinelli, médico toxicologista da Toxicologia Pardini, explicou que a saliva oferece janela de detecção próxima à do sangue para diversas drogas. Ele ressaltou que a urina possui janela de detecção mais longa, enquanto o cabelo permite avaliar exposição em períodos maiores.
A resolução do Contran não especifica modelo ou tecnologia do aparelho. Empresas como Orbitae oferecem o modelo DrugWipe, usado em catorze países, como França e Espanha. Na Espanha, a distribuidora Orbitae informou que, acima de certos limites, o condutor pode ser processado.

