Quatro anos após a invasão russa, militares ucranianos debatem o papel do soldado frente à revolução dos drones. Instrutores afirmam que lançar tropas de paraquedas é impraticável devido à rápida neutralização inimiga, mas os futuros recrutas defendem a importância das habilidades humanas.
O Ministério da Defesa da Ucrânia informou em julho que cerca de noventa por cento dos alvos são destruídos por drones. Com isso, a imagem tradicional de combate de infantaria e caças tornou-se ultrapassada, com robôs terrestres integrados às missões de combate.
Ainda assim, os futuros paraquedistas mantêm a crença na relevância das práticas antigas. Um recruta de vinte e um anos, conhecido pelo codinome Karyi, declarou que a tecnologia atinge um limite. Ele expressou desejo de ver a inteligência artificial vencer guerras, mas defendeu que o território só é controlado por unidades com soldados de verdade.
Instrutores do exército explicam que o treinamento em habilidades tradicionais serve a um propósito psicológico. Axel, instrutor de vinte e quatro anos, disse que o exercício prepara o efetivo para situações de estresse e como ele enfrenta medos. Os jovens passam por marchas forçadas, cercados por explosões e tiros, e enfrentam combates corpo a corpo.
Yuriy, instrutor veterano, reforçou essa visão, dizendo que, embora talvez um dia apenas especialistas em tecnologia lutem, pessoas de alta qualidade são necessárias para controlar um território. A mudança na guerra, segundo os instrutores, exige que os soldados convencionais estejam mais preparados para as dificuldades psicológicas.

