O ex-ministro da Fazenda e do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira que não há clareza sobre a capacidade de futuros governos, independentemente do espectro político, de realizar um controle sério das despesas para equilibrar as contas nacionais.
Meirelles fez a declaração durante uma palestra em evento organizado pelo Lide, grupo empresarial. O economista defendeu que o momento econômico exige medidas rigorosas, citando como exemplo o teto de gastos, regra fiscal implementada no início do governo Michel Temer.
Ele considerou insuficiente o atual arcabouço fiscal, que prevê um crescimento das despesas agregadas de 1,5%, e sugeriu o resgate de mecanismos mais próximos do teto para controlar gastos e permitir o crescimento do país. O ex-ministro ressaltou que a combinação de política de gastos expansionista e juros contracionistas gera juros altos e inflação fora da meta.
Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, reforçou a necessidade de ajuste mais incisivo nas contas governamentais. Segundo Megale, a ausência de moderação das despesas fará com que a economia brasileira continue com juros elevados, dificultando o crescimento.
Meirelles confirmou que não possui planos de retornar ao governo, mas mantém contatos informais com representantes de governo e oposição para oferecer contribuições, embora questione se essas contribuições serão ouvidas.

