A analista Martha Matsumura apontou o café como um ativo que se encaixa no perfil de operações de alta volatilidade. Ela explicou que a combinação de demanda que resiste a crises e oferta sensível a fatores climáticos e cambiais gera grandes movimentações no mercado.
Segundo Matsumura, o consumo de café demonstra resistência em diversos cenários econômicos. A analista frisou que o produto não apresenta redução de consumo em períodos de guerra ou paz, e não possui substituto direto entre as commodities analisadas. Isso confere ao ativo grande relevância no cotidiano mundial, sendo a segunda bebida mais consumida após a água.
A pressão na oferta, causada por eventos como geada, chuva ou variações de temperatura, pode provocar fortes deslocamentos de preço em pouco tempo. A piora na qualidade do grão, por exemplo, é interpretada como redução de oferta, justificando alta nos preços. Essa característica torna o café um alvo atraente para a analista, pois permite capturar movimentos expressivos com menor tempo de exposição ao risco.
Além dos fatores de produção, a dinâmica do preço do café também é influenciada pelo câmbio americano. A analista acompanha o posicionamento de grandes fundos internacionais, pois uma concentração de apostas na mesma direção pode ampliar a movimentação se as expectativas não se confirmarem. Por ser um ativo mais sensível, Matsumura prefere ser seletiva, buscando apenas poucas operações anuais com projeções de médio prazo.

