A América Latina abriga mais de 1.400 startups de tecnologia profunda, sendo 72,3% delas concentradas no Brasil. Essas empresas aplicam descobertas científicas em produtos comuns, como cremes e embalagens, sem que o consumidor perceba a pesquisa por trás.
Betina Zanetti, vice-presidente de Relacionamento da Acate, explica que a ciência está presente em itens como protetor solar, shampoo e alimentos com maior estabilidade. Ela aponta que Santa Catarina possui um ecossistema de inovação desenvolvido, unindo universidades, centros de pesquisa e empresas tecnológicas.
Na Nanovetores, empresa catarinense, foram criados sistemas de encapsulação que protegem ingredientes ativos sensíveis e controlam a liberação na pele. A companhia, incubada no Sapiens Parque em Florianópolis, exporta para 46 países. Em 2022, a multinacional suíça Givaudan adquiriu 48% da Nanovetores.
Zanetti afirma que o Brasil desenvolve competências reconhecidas internacionalmente em encapsulação de ativos, avançando em biotecnologia, nanotecnologia e novos materiais. A nanotecnologia, segundo ela, permite controlar materiais em escalas pequenas, aumentando o desempenho de produtos de rotina.
Apesar dos avanços, a profissional reconhece a dificuldade da população em compreender a ciência, que muitas vezes é comunicada em linguagem técnica. Ela defende que as empresas de tecnologia profunda transformam conhecimento científico em soluções aplicadas, e que jovens devem ver a ciência além dos laboratórios acadêmicos.


