A Bolsa brasileira registrou uma saída líquida de R$ 20,4 bilhões de investidores estrangeiros até 18 de agosto. O movimento ocorre em um contexto de juros elevados, incerteza fiscal e cenário externo instável, segundo dados da B3.
Gestores de investimento avaliam que a retirada de capital não indica uma aposta em recessão. Marcelo Boragini, sócio da Davos Investimentos, explica que o movimento decorre da combinação de fatores, como a incerteza fiscal e eleitoral, a alta dos juros globais e o conflito entre Estados Unidos e Irã.
A saída se intensificou após o JPMorgan reduzir sua recomendação para o Brasil de compra para neutro. O banco citou a desaceleração do crescimento e a deterioração do ciclo de crédito. Alexandre Pletes, da Faz Capital, aponta que os estrangeiros podem estar buscando oportunidades em tecnologia e energia nos Estados Unidos, em vez de temer uma crise no Brasil.
Especialistas como Thais Machado e Gabriel Magno aconselham que o investidor não abandone a Bolsa após as quedas recentes. Eles recomendam reavaliar a qualidade dos ativos e a carteira, pois parte das notícias negativas já estaria refletida nos preços.
Para se posicionar, Boragini sugere diversificação, incluindo renda fixa e ativos no exterior. Ele indica que empresas com baixo endividamento e geração consistente de caixa, como setores de energia elétrica e bancos, oferecem maior proteção contra o ciclo econômico.

