A abertura do setor privado em Cuba gera novas chances para empresas brasileiras, principalmente no setor de alimentos. Contudo, a situação econômica da ilha, a falta de divisas e o histórico de calote elevam os riscos de expansão comercial, avalia uma professora de Relações Internacionais.
Fabiana de Oliveira, professora de Relações Internacionais, disse que negociar diretamente com companhias privadas cubanas pode ampliar a presença brasileira no país sem aumentar as tensões com os Estados Unidos. Ela apontou que as mudanças econômicas ocorrem enquanto o governo cubano busca reduzir conflitos com a administração americana.
O comércio exterior entre Brasil e Cuba concentra-se em alimentos, como óleo de soja e embutidos. A especialista mencionou que futuras oportunidades poderiam envolver processamento ou beneficiamento de produtos brasileiros em Cuba, dependendo de uma recuperação econômica da ilha.
A dificuldade de repatriar dólares e os problemas de infraestrutura dificultam grandes investimentos. Além disso, a capacidade de pagamento de Cuba é um obstáculo. O histórico de inadimplência, como o caso de 2018, pesa na avaliação, exigindo a reativação de mecanismos de financiamento com riscos envolvidos.
No curto prazo, as micro, pequenas e médias empresas privadas cubanas (MIPYMEs) mostram potencial. Essas companhias representam cerca de 15% do PIB cubano e empregam aproximadamente 30% da mão de obra do país, permitindo negociações diretas com o setor privado.

