Investidores precificam maior probabilidade de inflação elevada, sinalizando preocupações com a política do Tesouro dos EUA. A taxa de breakeven, que compara rendimentos de títulos do Tesouro com os protegidos contra inflação, subiu em toda a curva, atingindo o maior patamar em mais de dois meses.
A preocupação surgiu após anúncio do Tesouro na quarta-feira, que informou o aumento da recompra de dívida de rotina. A operação, que iniciou em dois mil e vinte e quatro, visa dar liquidez a títulos de prazo mais longo. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que a medida não buscava reduzir os rendimentos, mas a notícia ocorreu depois que títulos de dez e trinta anos registraram níveis não vistos desde a crise financeira global de dois mil e oito.
Estrategista-chefe da KBRA, Van Hesser, afirmou que o cenário atual apresenta uma combinação de preocupações intensificadas. A precificação de inflação mais alta pelos operadores se encaixa nesse cenário de apreensão. Os rendimentos dos títulos de longo prazo se recuperaram na quinta-feira e voltaram a subir na sexta-feira, com o título de dez anos em 4,73% no início da tarde, alta de 3,4 pontos-base.
O Tesouro é obrigado a compensar recompras de dívida de longo prazo com emissões de prazo mais curto. O salto nos rendimentos está ligado a temores inflacionários e à concorrência com dívidas asiáticas e europeias. Além disso, o prêmio de prazo ultrapassou a marca de 40 trilhões de dólares nesta semana. Enquanto os rendimentos subiam, o dólar enfraqueceu, acumulando perda de quase 0,9%.
O movimento do dólar pode ser resultado da interpretação do anúncio do Tesouro como sinal de políticas mais flexíveis do Federal Reserve. Thierry Wizman, estrategista global de câmbio e juros do Macquarie Group, observou que o mercado interpretou o anúncio como algo inflacionário, visto o aumento de cerca de seis a sete pontos-base no breakeven de dez anos.


