O achado de dois corpos de alpinistas belgas, desaparecidos há trinta e quatro anos na Suíça, ajuda a explicar a preservação de restos mortais em geleiras. O processo ocorre pela ação do frio extremo, que reduz a atividade de bactérias e enzimas decompositoras.
A baixa temperatura retarda a degradação dos tecidos após a morte. Se o corpo for rapidamente coberto por neve e incorporado ao gelo, ele pode permanecer congelado por longos períodos. O ambiente de alta montanha também favorece a desidratação, um processo similar à mumificação natural.
O degelo expõe esses restos, mas a preservação não é eterna. Quando o gelo recua, os corpos voltam a ser expostos ao ar e a temperaturas mais altas, o que acelera a decomposição.
O derretimento das geleiras nos Alpes tem tornado esse fenômeno mais visível. Em dois mil doze, por exemplo, foram encontrados três alpinistas desaparecidos em mil novecentos e vinte e seis no glaciar Aletsch, na Suíça. O caso mais notório é o de Ötzi, encontrado em mil novecentos e noventa e um, com cerca de cinco mil e trezentos anos.

