As mulheres compõem cinquenta e um vírgula cinco por cento da população brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, nas últimas eleições gerais, apenas trezentas e duas mulheres foram eleitas de um total de mil seiscentos e noventa e seis, o que representa quinze vírgula três por cento.
A análise do cenário político aponta para um machismo estrutural nas legendas partidárias. O especialista em marketing político Marcos Marinho afirmou que a maior proporção de vices eleitas em relação aos cabeças de chapas indica essa dificuldade. Segundo Marinho, a estratégia de colocar uma mulher como vice em chapa masculina visa criar um canal de diálogo com o eleitorado feminino, pois a maioria dos homens não consegue construir essa interlocução sozinha.
No âmbito legislativo, a Câmara dos Deputados elegeu noventa e uma mulheres, totalizando dezessete vírgula sete por cento das quinhentas e treze cadeiras. Houve avanço de dezoito vírgula sete por cento em comparação com o pleito de dois mil e dezoito. Já no Senado, o número de cadeiras ocupadas por mulheres caiu de onze para dez entre dois mil e dezoito e dois mil e vinte e dois.
Em Goiás, a Assembleia Legislativa (Alego) elegeu quatro mulheres, o que representa menos de dez por cento do total de legisladores estaduais. O especialista Marinho completou que a presença feminina em candidaturas de destaque depende de protagonismo dentro das organizações partidárias, algo que, segundo ele, não ocorre na estrutura política atual.

