A pneumoconiose dos mineiros de carvão, conhecida como “doença do pulmão negro”, afeta cada vez mais trabalhadores nos Apalaches, região mineradora dos Estados Unidos. Um estudo do Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH) mostra que um em cada três mineiros com mais de 25 anos de trabalho na área sofre da condição potencialmente fatal.
A doença, que causa falta de ar progressiva e insuficiência respiratória, ressurgiu na região. A prevalência cresceu desde os anos 2000, quando normas limitavam a exposição à poeira de carvão. A sílica, substância até vinte vezes mais tóxica que o carvão, é apontada como a responsável pelo aumento de casos.
Após a extração do carvão de acesso mais fácil, os mineiros precisaram perfurar mais profundamente as rochas. Esse processo libera partículas finas de sílica, o que explica o agravamento da doença, segundo Scott Laney, coautor do estudo.
Em uma clínica especializada, o paciente mais jovem diagnosticado com fibrose maciça progressiva, forma grave da doença, tinha apenas trinta anos. Especialistas afirmam que, embora seja possível tratar os sintomas, não existe cura para a pneumoconiose.
A agência americana de segurança nas minas (MSHA) adotou em 2024 uma norma que reduzia o limite de exposição à sílica. Contudo, associações do setor recorreram à Justiça, e um tribunal federal de apelações suspendeu a regra, adiando sua implementação por tempo indeterminado.


