Cientistas documentaram pela primeira vez a existência de cervos-do-pantanal melânicos, conhecidos como veados pretos, no Pantanal e Cerrado. Os animais, que são o maior veado do país, eram vistos apenas em relatos locais. A descoberta ocorreu durante monitoramento de longo prazo na região.
O cervo-do-pantanal, que possui coloração castanha-avermelhada, apresenta uma pelagem profundamente escura nos exemplares melânicos. Três indivíduos foram flagrados com drones e armadilhas fotográficas: uma fêmea no Pantanal e dois machos no Cerrado. Eduardo Fragoso, biólogo da Onçafari, um dos autores do estudo, confirmou a ocorrência, que foi registrada na publicação científica Notas sobre Mamíferos Sudamericanos.
Walfrido Tomas, especialista em cervos e pesquisador da Embrapa Pantanal, explicou que o melanismo resulta de uma mutação no gene da melanina. Essa característica é incomum, pois o tom avermelhado natural oferece camuflagem contra predadores e caçadores ilegais. A pelagem escura, contudo, absorve mais calor, o que representa uma desvantagem em ambientes quentes.
No Parque Nacional Grande Sertão Veredas, área do Cerrado, os cervos escuros representaram 66,7% das observações entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. Uma hipótese para o Cerrado aponta um gargalo genético causado por endogamia. No Pantanal, onde a espécie possui cerca de 40 mil animais, a fêmea observada é o primeiro caso de melanismo em quatro décadas de estudo.

