Registros de vários terremotos de alta magnitude ocorreram em diferentes regiões globais nos últimos meses, como na Venezuela, Japão e Colômbia. No entanto, a ciência não encontra evidências de que a Terra esteja passando por um período de maior atividade sísmica mundial.
A superfície terrestre é composta por placas tectônicas que se movem continuamente. A acumulação de tensão nas bordas dessas placas gera rupturas, resultando em sismos. Contudo, esse processo não se sincroniza em escala planetária; falhas em locais distintos respondem a contextos tectônicos diferentes.
A coincidência temporal de eventos grandes pode ser explicada pela variabilidade aleatória, assim como a sequência de caras ao lançar uma moeda. Estudos estatísticos do catálogo mundial de terremotos mostram que os agrupamentos aparentes não confirmam uma mudança na taxa de atividade global.
Existem situações em que os sismos estão relacionados. Após um grande abalo, ocorrem réplicas de menor magnitude na mesma área. O mecanismo de transferência de esforços de Coulomb explica a relação entre dois terremotos muito próximos, como ocorreu na Venezuela, mas esse efeito não se estende a eventos distantes.
A percepção de risco também é influenciada pela mídia. Muitos tremores ocorrem sem causar danos ou longe de áreas povoadas. O que chama a atenção é o impacto em populações, e não apenas o número de ocorrências.

