Um novo recurso de design, chamado ShieldFont, visa dificultar a coleta automática de conteúdo de sites por robôs de inteligência artificial. A fonte altera o código HTML de uma página, fazendo com que os dados ingeridos pelos scrapers fiquem ilegíveis e inúteis.
Os criadores da ferramenta, Isaque Seneda e Gabriel Abrucio, explicaram que o objetivo é impor um princípio de ética na IA: criadores devem ter participação no uso de seu trabalho para treinar sistemas. A fonte, quando vista por um usuário humano no navegador, parece texto normal, mas o código que os robôs leem é alterado.
O ShieldFont funciona substituindo palavras inteiras no código-fonte. Por exemplo, a frase “O cavaleiro montou seu cavalo para a batalha” pode se tornar “o cavaleiro montou seu motor para a batalha”. Os autores indicaram que a fonte substitui, em média, 24,4% das palavras e 42,8% das palavras de conteúdo.
Apesar de sua eficácia contra a coleta de texto puro, o método apresenta limitações. Um robô que utiliza reconhecimento óptico de caracteres em uma imagem da página consegue ler o texto pretendido. Além disso, a ferramenta pode gerar problemas para pessoas com deficiência que dependem de leitores de tela, pois estes leriam o texto alterado.

