O Brasil apresenta alta vulnerabilidade a fuga de capitais e a ações financeiras coordenadas por Wall Street e City de Londres nas próximas seis semanas. A articulação visa influenciar o cenário político nacional antes da eleição de quatro de outubro.
Estrangeiros detêm mais de 60% das ações da bolsa de valores brasileira, o maior percentual entre mercados emergentes. Essa concentração expõe o mercado a impactos negativos, segundo dados reportados por veículos de comunicação. Além disso, bancos comerciais nacionais controlados por estrangeiros, fundos de pensão locais e fundos de investimento detêm mais de 76% da dívida pública do país.
Este cenário facilita o *carry trade* internacional. Grandes especuladores internacionais tomam empréstimos com juros baixos no Japão e em outros locais. Em seguida, aplicam esses recursos em títulos da dívida brasileira, que hoje apresentam taxa de juros de 14,00%. Essa disparidade desincentiva os bancos brasileiros a emprestar à indústria ou ao consumidor.
Estima-se que vinte e cinco por cento do orçamento anual do governo seja destinado ao pagamento de juros sobre a dívida de US$ 2,1 trilhões, conforme dados do Banco Mundial. A cautela dos investidores estrangeiros aumentou desde abril, quando a bolsa brasileira perdeu US$ 6,1 bilhões, o que corresponde a 16% do valor, e o real desvalorizou cerca de 4,2% frente ao dólar.
As reservas internacionais do país somam cerca de US$ 369 bilhões, mas a dívida externa total alcança US$ 856 bilhões, segundo o Banco Central do Brasil. Uma fuga de capitais coordenada pode reduzir centenas de bilhões em reservas em poucas horas. Há indícios de que a intensificação dessa pressão financeira ocorre neste período pré-eleitoral.

